{"id":325,"date":"2020-12-22T19:30:48","date_gmt":"2020-12-22T22:30:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhesolutra.com.br\/blog\/?p=325"},"modified":"2020-12-22T19:32:25","modified_gmt":"2020-12-22T22:32:25","slug":"presente-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhesolutra.com.br\/blog\/presente-presente\/","title":{"rendered":"Presente, presente!"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fui, segundo intui\u00e7\u00e3o, visitar o lugar. Buc\u00f3lico, mi\u00fado, t\u00e3o simples e encantado! Cachoeiro de Brumado. Ao chegar, j\u00e1 de cara, povoei todas as minhas inf\u00e2ncias. E o que restava de mim recomecei em poucos dias, ali mesmo! Tirei logo os sapatos e comecei a andar tateando um cal\u00e7amento que massageava meus p\u00e9s. Um misto de prazer e desobedi\u00eancia posto que em meus ouvidos l\u00e1 de tempo quase caduco, minha m\u00e3e vaticinava.; &#8211; V\u00e1 se cal\u00e7ar menina, a pedra t\u00e1 fria e al\u00e9m disso pode se machucar no cascalho. Ah, saudades dessas ordens codinome cuidados, contudo, era extremamente libertador meus 40!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bom, pousei no casebre que aluguei por temporada e tudo me surpreendia. Parecia fra\u00e7\u00f5es espalhadas de mim, tamanha privacidade. Casa onde me acolheram as lou\u00e7as floridas, tacho de cobre, panelas de pedra, pil\u00e3o, tecido bordados e tamb\u00e9m um lampi\u00e3o. A luz el\u00e9trica ficaria a gosto quando n\u00e3o quer se ver a meia luz. Tudo t\u00e3o lindo e de um bom gosto genu\u00edno e peculiar. Riquezas nas miudezas, talheres sofisticados e tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomei um banho de cachoeira no quintal da casa. Eu me benzi, \u00e1vida de desejos que ali se consumavam num sil\u00eancio absoluto e revelador. A sinfonia das \u00e1guas s\u00e3o registros espec\u00edficos. Todos podem ouvir o mesmo som de sua for\u00e7a quando bate nas pedras, mas ela tem um recado e uma linguagem pr\u00f3pria para cada um dos ouvintes. E comigo n\u00e3o foi diferente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali guardei ora\u00e7\u00f5es, segredos e pactos. Que limpeza profunda, que sensa\u00e7\u00e3o de leveza e deslumbramento&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bom, para n\u00e3o tecer mais fios, em meu pen\u00faltimo dia da mais profunda solitude, caminhei rumo ao legado da terra; artesanato! Pitas e sisais, bambus, palha de todas as texturas, contas de l\u00e1grimas (minha av\u00f3 tinha um ter\u00e7o feito com elas). Hist\u00f3rias recontadas sobre viagens bem pitorescas dos tropeiros e as cargas de pedra sab\u00e3o, al\u00e9m de casa com utens\u00edlios que retratavam a \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontrei mais uma vez o meu reduto naquele clima de poesia fresca. Em sintonia, vem ao meu encontro, uma senhorinha de olhos azuis de um mar aberto, fei\u00e7\u00f5es Cora Coralina. A minha vontade era de encher aquela figura de beijo. Entre fuxicos de cores das mais variadas e um cheiro de alecrim do mato, ela se apresenta. Em segundos j\u00e1 virava voltas a nossa prosa. Continuamos em sua casa, com a oferta de caf\u00e9 coado \u00e1 lenha e broa que j\u00e1 exalava o cheiro. Que cantinho mais lindo, t\u00e3o cheio de arte, <strong>vida!<\/strong> Eu poderia passar a l\u00edngua no ch\u00e3o. Uma nascente de \u00e1gua cristalina e uma horta que tinha at\u00e9 morangos silvestres! O jardim em volta da casa toda, abra\u00e7ava e fazia a melhor companhia. Tudo muito bem conservado e preservado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a mem\u00f3ria? Nem se fala. Entre seus estados Brumado Cachoeirense ela distribu\u00eda nomes de escultores, artes\u00e3os, santeiros, capelas, pousadas, festas t\u00edpicas. Rendeu naquela conversa de p\u00e9 de fog\u00e3o, um hist\u00f3rico quase lend\u00e1rio. Atribu\u00eda nome at\u00e9 aos bois. Fora as hist\u00f3rias pessoais que confidenciamos. Me apaixonei e s\u00f3 n\u00e3o me belisquei com medo de acordar. Nos despedimos num abra\u00e7o caloroso e cheio de promessas. Sorrisos de canto a canto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Malas e sambur\u00e1s prontos, extra de muitas artes, doces, licores, eu estava cal\u00e7ada. Os sapatos pela primeira vez me apertavam. Sentei-me no sof\u00e1 macio e envolvente, e com p\u00e9s para cima tentava convenc\u00ea-los a me levar para casa sem muitas desculpas. Sorte minha que os sinos tocam, campainhas existem e a garganta insiste. Dona Sofia me chamava!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passei por cima de tudo atropelando sapato deitado e em p\u00e9 e fui receb\u00ea-la como quem ficaria para n\u00e3o a deixar ir embora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Trazia entre os bra\u00e7os algo embrulhado numa colcha de fuxicos em tons degrad\u00ea de terra. E como se carrega um beb\u00ea assim que nasce, ela se dirigia a mim numa entrega e confian\u00e7a total. Ali tinha alma acima de n\u00f3s duas. Eu abri segundo a prescri\u00e7\u00e3o. Como se abre algo fr\u00e1gil, pesado e raro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o consigo com fidelidade descrever o que senti. \u00c9 como se eu tentasse explicar as cores a um cego. Talvez isso perten\u00e7a aos magos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algo relic\u00e1rio, algo que tra\u00e7a estradas que nos levam al\u00e9m do ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E foram dois, iguaizinhos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu relutei em aceitar tamanho desprendimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ela logo justificou de modo simples e encantado como aquele lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um \u00e9 para voc\u00ea querida e o outro voc\u00ea ir\u00e1 presentear. Na hora certa, tempo e pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guardei esse tesouro por muitos anos, j\u00e1 cheirava a guardado de tanto esperar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Percorri sem pressa uma ESTRADA REAL&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E Hoje digo a Dona Sofia, onde quer que esteja, que achei a pessoa ideal&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma poeta em tudo que toca. Possui um olhar que nada tira. Acrescenta. Leva o valor imaterial que a arte faz quest\u00e3o de compartilhar. Sente a arte nas flores, no modo de servir seus amores, em cada pedacinho que ela amplia para caber uma cor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram tantas pr\u00e1ticas que percebi nessa linda pessoa, vivenciando seus desdobramentos, sua alegria em tirar uma foto que chegasse pelo menos ao m\u00ednimo no que ela desejava transmitir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E para uma vida que se renova todos os dias, ela continua, na tradu\u00e7\u00e3o de sua parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sempre bem vinda a primaverar nos outonos, invernos e ver\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuemos a viajar&#8230; Esse roteiro vai al\u00e9m dos mapas indicativos. Tem uma vida plena de sentidos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Aproveite amiga!!!!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arte n\u00e3o est\u00e1 no fato de reconhecer, mas de pertencer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viajar em todos sentidos, criar espa\u00e7os at\u00e9 onde parece n\u00e3o ter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora em suas m\u00e3os NENENA, a trilogia est\u00e1 completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trilharemos uma Estrada Real, um caminho de hist\u00f3ria poesia e beleza. Onde as CECENAS e afins s\u00e3o convidadas, SOFIAS e as companhias que agente desejar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nosso sempre come\u00e7o. Nosso endere\u00e7o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">#VAMOSQUEVAMOS!!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui, segundo intui\u00e7\u00e3o, visitar o lugar. Buc\u00f3lico, mi\u00fado, t\u00e3o simples e encantado! 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