{"id":343,"date":"2021-10-05T22:24:25","date_gmt":"2021-10-06T01:24:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rhesolutra.com.br\/blog\/?p=343"},"modified":"2021-10-26T15:49:12","modified_gmt":"2021-10-26T18:49:12","slug":"com-textos-e-enderecos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rhesolutra.com.br\/blog\/com-textos-e-enderecos\/","title":{"rendered":"COM TEXTOS E ENDERE\u00c7OS"},"content":{"rendered":"\n<p>Avistei em mim, num dia como os outros, sem caravelas ou terra que valha, um ponto de vista precioso. Cego acho que ningu\u00e9m tem. O meu, repleto de veredas. Nele foquei surpresas boas, nenhuma cerim\u00f4nia. Nem honra ao m\u00e9rito, nem bum do momento. Vazio de qualquer arrependimento. Um ponto sem interroga\u00e7\u00e3o. Sem aceita\u00e7\u00e3o de r\u00f3tulos, plaquinha de patrim\u00f4nio. Um simples crach\u00e1 de bot\u00f5es da velha Maria Grampim (daqui a pouco falo dela).<\/p>\n\n\n\n<p>Ponto avesso a etiquetas que tentam passar por cima de estilo e ainda achar que valeu a pena o empenho. Mergulhei nesse ponto sem nenhuma retic\u00eancia. Aliviante. Simples assim. A partir dele meu dia transformou rotina em ritos sagrados sem figuras para tomar conhecimento real disso. Eita vida artes\u00e3, paciente e traquejante. Faz a gente rebolar, compor a m\u00fasica e ainda nos afina, nos p\u00f5e no ponto. Mostra a pedra bruta e o prazer do nosso instante ao polir o diamante. D\u00e1 in\u00fameras chances de olhar para gente mesmo como a primeira vez! Nos surpreende. Sua a testa, pinga. D\u00e1 o trabalho e o prazer da conquista.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso trago em mim, muitos cora\u00e7\u00f5es para pulsar em tantos peitos. Dose extra, extravagantes. Doses cavalares de energia (quando o caminho estica demais). Neste caso, a poesia me d\u00e1 carona, me deixa onde achar que deve. \u00c9 companhia e companheira certeira, parceira. Sinto verdades sem ter que provar nada, nem para ela mesma. Isenta dos julgamentos em qualquer sentido. Modela nosso esqueleto expande nosso tecido. Mal cabe dentro do conte\u00fado, mas cai como uma luva no contexto. Pede emprestado e devolve sem adultera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se gasta, se esparrama. Ficamos uma dentro da outra, completamente inteiras. N\u00e3o aceita rascunho. Nem assinada, se assume.<\/p>\n\n\n\n<p>Pertence a quem quer que as entenda. Leva consigo nas entranhas e pensamentos apenas a imagem que se tem dela. \u00c9 cortes\u00e3. O resto fica \u00e0 merc\u00ea de todos os olhos dispon\u00edveis. Qualquer caminho nos leva ao encontro dela. Basta reconhecer o espa\u00e7o que ela pode e queira ocupar. O caminho at\u00e9 a minha pia por exemplo \u00e9 um deles. N\u00e3o parece fora do texto? Mas \u00e9 com texto que conta o conto, e perde as contas onde a vista n\u00e3o alcan\u00e7a, a cabe\u00e7a n\u00e3o compreende. Poesia n\u00e3o vem com manual. Bom, ao caminho at\u00e9 a pia retorno. Entro. Literalmente fecho a porta da cozinha (nessa hora o respeito \u00e9 un\u00e2nime) e abro infinitas janelas para receber suas gra\u00e7as, enquanto eu e o tempo que tenho para deixar tudo limpo, entramos em sintonia. Movimento corriqueiro transformado em expectativas das mais inusitadas. Entre \u00e1gua e sab\u00e3o, companhias ilimitadas que tamb\u00e9m lavam a minha alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje foi a vez de minha convidada Cora. Sim, ela mesma, Coralina! Fiz um doce de mam\u00e3o verde antes. Imaginem a honra e o aperto em fazer o melhor que eu sabia e se nem tacho ou fog\u00e3o a lenha tenho. Mas ela n\u00e3o se importou. Foi logo ocupando o melhor lugar em meus ouvidos, e o fone apenas um detalhe; uma via da hora. Minhas bagagens emocionais dispus no v\u00eddeo que me permitiu viajar. Nelas, Coralina, sem d\u00favida, deu de cara com Ad\u00e9lia Prado e acenado com gosto. Juntas, abrimos a torneira e a \u00e1gua tomou formas que mostravam tra\u00e7os de satisfa\u00e7\u00e3o entre falas na rede e a vez do n\u00e3o perde o sab\u00e3o. A pilha de talheres sempre grande. Nada que uma poesia n\u00e3o pudesse polir e o amanh\u00e3 recome\u00e7ar. Clareando seus registros, inseridos no ato de servir e ser servido. Algumas amostras de porcelana, carregadas de mem\u00f3rias. Como a pr\u00f3pria vida em que a poesia n\u00e3o se separa nunca. Igual valor, hist\u00f3rias onde cabe tantas outras. Sim, entre utens\u00edlios graduado e imagens sem filtro, foi um pulo at\u00e9 Goi\u00e1s. No distinto reduto Cora transitava em energia em seu espa\u00e7o f\u00edsico, sacramentado. Nesse instante, enviei uma mensagem \u00e0 minha aventureira amiga Nenena. Olha veja a casa de Cora!!! Vaticinava j\u00e1 no circuito. Vou continuar a noite, disse a Doutora.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o tempo de quebrar um copo para eu retomar a fonte. Aquela bica suave onde romeiros, turistas, amantes e curiosos, cansados e sedentos se ajoelhavam. Naquele momento eu j\u00e1 convertia; \u00e1gua torneira abaixo, numa lenta e musical amostra do fio que Cora tecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Senti o cheiro da casa, vi a trouxa de roupas de Maria da Purifica\u00e7\u00e3o (conhecida com Maria Grapim, tantos grampos na cabe\u00e7a). Convidada por Cora a ocupar um lugar nobre na casa, morar literalmente. Mas ela e uma trouxa de roupas bordadas com bot\u00f5es avulsos que achava no ch\u00e3o da cidade, preferiu o por\u00e3o da casa, para n\u00e3o perder os ares da rua. Andarilha por voca\u00e7\u00e3o, talvez. Esse clima me fez corar como manga rosa, e de doce, amadurecida com as escolhas convictas alheias, certamente me tornei mais macia. Quem n\u00e3o carrega as suas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fim de mais um expediente. Suspiro ricamente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o havia mais lou\u00e7as pedantes, apenas o gosto da hospitalidade. Uma poesia que pude sentir, um at\u00e9 breve de p\u00e9, diante da pia seca. Tirei o fone de ouvido j\u00e1 saudoso da convidada. Cora se sentiu mais uma vez em casa. Na minha casa e de quem mais a tenha chamado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cotidiano de poesia regado em territ\u00f3rio jamais dominado.<\/p>\n\n\n\n<p>Poesia. Liberdade de dizer a verdade em pratos limpos.<\/p>\n\n\n\n<p>Extrair ouro sem precisar do garimpo. Lugar criativo de Amor. \u00c9 sentir na \u00e1gua o sabor da sede.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma casa que n\u00e3o se sustenta pelas paredes.<\/p>\n\n\n\n<p>DEUS POETIZOU CORA, NA SUA MAIS COMPLETA TRADU\u00c7\u00c3O.<\/p>\n\n\n\n<p>MINHA PAIX\u00c3O&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>GRATID\u00c3OOOOOO!!!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avistei em mim, num dia como os outros, sem caravelas ou terra que valha, um ponto de vista precioso. 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